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terça-feira, 3 de março de 2026

Direito de Interromper a Sessão - Segurança Feminina e Prevenção de Abuso de Poder na Terapêutica Tântrica

Direito de Interromper a Sessão
Segurança Feminina e Prevenção de Abuso de Poder na Terapêutica Tântrica

Quando uma mulher entra em um espaço terapêutico corporal, ela precisa ter certeza de uma coisa: ela pode parar a qualquer momento.

Esse não é um detalhe técnico. É uma medida concreta de proteção contra abuso de poder.

Na Terapêutica Tântrica exercida conforme o Código de Conduta da ABRATANTRA, o consentimento é livre, esclarecido e revogável. Isso significa que a mulher mantém controle absoluto sobre o próprio corpo durante toda a sessão.

Consentimento não é submissão

Autorizar uma técnica não significa abrir mão da autonomia.
Assinar um termo não significa que a prática precisa continuar até o final.

A qualquer momento, a mulher pode:

– Pedir para interromper.
– Solicitar pausa.
– Retirar autorização para um toque específico.
– Encerrar completamente a sessão.

Sem explicação obrigatória.
Sem constrangimento.
Sem pressão.

A prevenção do abuso começa aqui.

Abuso de poder: como ele se disfarça

Abuso nem sempre é explícito. Muitas vezes aparece como:

– “Confie em mim, é para o seu bem.”
– “Você precisa ultrapassar esse bloqueio.”
– “Se parar agora, não vai evoluir.”
– Insistência diante de hesitação.

Quando há pressão para continuar, já não existe consentimento livre.

A ética profissional exige que o limite da mulher seja superior a qualquer proposta técnica.

Sinais que devem ser respeitados imediatamente

Em um ambiente seguro, os seguintes sinais são suficientes para interromper:

– Hesitação verbal.
– Mudança no padrão respiratório.
– Rigidez corporal.
– Expressão de desconforto.
– Pedido de pausa, mesmo sutil.

Silêncio não é autorização.

A responsabilidade do profissional é parar, não persuadir.

Autonomia corporal como eixo central

Historicamente, mulheres foram ensinadas a tolerar desconfortos para não “incomodar”. Em um espaço terapêutico sério, essa dinâmica é invertida.

A mulher não está ali para agradar o terapeuta.
Não está ali para provar resistência emocional.
Não está ali para cumprir expectativas.

Ela está ali para se reconectar com a própria autonomia.

Interromper pode ser, inclusive, um ato de fortalecimento.

Base ética e jurídica

O Código da ABRATANTRA estabelece expressamente que o consentimento pode ser interrompido a qualquer momento.

A legislação brasileira também protege a dignidade da pessoa humana e a integridade física e psíquica. Nenhuma prática corporal é legítima se continuar após a retirada do consentimento.

Persistir diante de um limite ultrapassa o campo terapêutico e entra no campo da violação.

Compromisso com tolerância zero

Um ambiente ético adota postura clara:

– Não há insistência.
– Não há persuasão emocional.
– Não há “testes de entrega”.
– Não há relativização de limites.

Se a mulher disser “não”, a resposta é parar.
Se disser “quero pausar”, a resposta é pausar.

Sem debate.

Conclusão

O direito de interromper a sessão é um mecanismo concreto de prevenção de abuso de poder.

Ele garante que a mulher permaneça no centro do próprio processo.
Garante que o terapeuta não ultrapasse a posição profissional.
Garante que o corpo continue sendo território de decisão da própria mulher.

Em um atendimento ético, segurança não é discurso.
É prática.

Sidarta Yonimani
Terapeuta Corporal
Porto Alegre – RS

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